terça-feira, 10 de novembro de 2009

12 A vida sem Daniella ... a dor do Papai Luiz Carlos Perez



A entrevista que você irá ler aqui,foi publicada em fevereiro de 1993,na revista manchete,como eu nunca tinha postado nada sobre o pai da Dany aqui,e alguns amigos pediram pra eu falar sobre ele,publico hoje uma das poucas entrevistas que Luiz Carlos Perez deu a imprensa,veja a dor do pai ;

"Tenho necessidade de falar, para que todos saibam como era minha filha. Ela jamais mentiu ou enganou. Era uma pessoa amiga, companheira e nós sempre tivemos um relacionamento muito carinhoso. Vivemos na mesma casa por 14 anos e, mesmo depois que me separei da mãe dela, estávamos sempre juntos. Ela tinha a chave da minha casa. Entrava, saía, passava o fim de semana. Nossa relação sempre foi muito aberta e liberal. Às vezes eu chegava em casa e ela já estava lá. Conversávamos muito.Eu sempre perguntava a ela: Petruskinha – era assim que eu a chamava – cadê seu namorado? E ela dizia: 'Não tenho. Mas quando eu tiver, você vai ser o primeiro a saber.' E ela me apresentou a um ou dois namorados. Um deles foi o Duda (Ribeiro, ator). Eles terminaram o namoro e se tornaram muito amigos. Acho bonito isso, conseguir transformar um namoro em amizade. É muito difícil. O terceiro foi o Raul, com quem ela se casou. Ela era menor e eu tive que assinar uma autorização. O Raul, que era desquitado, teve que se divorciar para casar com ela. Quando ela me contou, perguntei se era uma coisa recíproca, se ele gostava tanto dela quanto eu estava vendo que ela gostava dele. Agora estou vendo que, durante o tempo em que estiveram juntos, eles foram muito felizes e apaixonados.

Os dois se conheceram ao dançar um tango, em Kananga do Japão, e Daniella não me disse nada sobre ele, na época. Só bem depois, ela me disse que eles estavam namorando e que iam se casar. 'Um dia, eu vou te apresentar a ele e você vai ver que ele é uma pessoa legal.' Combinamos um jantar no Clube. O Raul estava de boné e com um enorme rabo-de-cavalo, que depois eu soube que era postiço, por causa do personagem dele em Filhos do Sol. Ele foi muito delicado e educado com a minha mulher. Ela queria tomar vinho e ele suspendeu o suco de laranja que já tinha pedido, só para acompanhá-la, apesar de não beber. Nós brindamos e eu perguntei por que eles pretendiam se casar.
Responderam: 'Porque nós queremos.' Pra mim, aquilo era apenas uma formalidade, casamento está mais na cabeça do que no papel. Eu virei pra ele e disse: 'Só vou falar uma coisa pra você: Faça minha filha feliz.' E ele respondeu que, se dependesse dele, ela seria. E realmente foi. Tempos depois, levei a minha filha Manuela de dois anos, para ver a gravação de De Corpo e Alma. Foi a primeira vez que eu vi aquele crápula que matou a Daniella. Ele é um paria dentro dessa sociedade.

Minha filha era forte.E morreu porque foi atraiçoada. Essa é a minha opinião. Ele não é louco, psicopata. Quando ele matou minha filha, sabia o que ia fazer. Agora, ele inventa um motivo para amenizar. A atitude dele não é a de um psicopata. E eu não acredito que exista uma religião, seja ela umbandista, budista ou o que for, cujo objetivo seja matar uma pessoa. Foi premeditado, e ela foi pega de surpresa. Uma menina na flor da idade, 22 anos, forte bem alimentada, casada com um desportista... Na primeira vez em que eu fui à casa do Gazolla, a decoração da sala era um sofá e três aparelhos de ginástica. Eu nunca tinha visto uma coisa daquelas. Ele a incentivava a melhorar ainda mais seu condicionamento físico e mudou a alimentação dela, que antes comia muita guloseima, chocolates, etc. Ela era uma pessoa que fez dança durante 17 anos. Reagiria, lutaria. Era pouco provável que aquele paria pegasse ela numa corrida. A não ser traiçoeiramente. Não acredito que ela tenha ido para lá de livre e espontânea vontade. Ela ligou para o marido, dizendo que estava a caminho de casa. Eles estavam sempre se telefonando. Sabiam todos os passos um do outro.

Daniella foi enterrada no jazigo da minha família, onde estão meu avô, meu pai... mas eu nunca imaginei que fosse ver minha filha enterrada ali. A vida é o caminho para a morte, mas você sempre espera seguir a ordem natural das coisas: primeiro meu avô, depois meus pais, eu, meus filhos, meus netos. Hoje eu guardo duas imagens da minha filha. Na primeira, ela está vestida de Nossa Senhora, no especial de fim de ano do Roberto Carlos. Há 40 anos, eu só sei uma oração, que é a oração a Nossa Senhora. Mas eu nunca tive uma imagem dela na minha cabeça. Hoje, quando eu penso em nossa Senhora, eu vejo a minha filha. Não digo que ela tenha sido lindíssima, mas ela era bonita, e aquele clipe ficou lindo... Na outra imagem, ela está no Instituto Médico-Legal. Quando eu toquei no bracinho dela, estava frio. Eu pensei que ela ia ficar quente de novo e piscar para mim, mas ela não fez nada. Você fica na ilusão até a hora do enterro, mas, na hora em que o caixão desce, acaba tudo. Quando eu vi o corpo dela no IML, vi que estava machucada, mas achei que ela estava inteira. Foi quando o homem levantou a blusinha dela e eu vi um buraco enorme... dava para colocar meus dois dedos. Eu então imaginei: ela lutou como uma leoa. E os peritos dizem que não houve luta. Minha filha foi morta traiçoeiramente...

É um vazio muito grande, uma lacuna que não vai ser preenchida. Meu pai morreu há 32 anos, e eu sempre disse aos meus filhos que era uma pena que eles não tivessem conhecido o avô. É uma dor que não acaba dentro de você. Quem acredita no que esse monstro diz, não conhece nada. Não conheceu a minha filha, não sabe a formação que ela teve.

Ela era muito profissional e vaidosa. Uma vez, foi dançar com o Raul no Faustão, e eu senti que ela tinha parado antes do fim. Depois, perguntei por que, e ela explicou que o Raul tinha errado a coreografia três vezes. Eu questionei: 'E você, não errou?' Ela disse: 'Papi, eu nunca erro.' No mesmo programa, a produção tinha se enganado, na hora de colocar as imagens dos ídolos dela, e na mesma hora, no ar, ela disse que não era aquilo que ela tinha dito. Minha filha era assim, honesta e sincera. As primeiras flores que ela recebeu, fui eu que mandei, numa festa de encerramento anual da academia da Carlota Portela. Depois, me surpreendi, ao ver como ela subiu rápido na carreira de atriz. Ela emendou Barriga de Aluguel, a primeira novela, com O Dono do Mundo. E ligou pra mim, dando a notícia em primeira mão: tinha sido contratada pela Globo! Quando ela estreou nesta novela, fiquei surpreso, pois ela havia mudado muito num curto espaço de tempo. Pulou de 100 para mil, como atriz. Liguei para ela e dei os parabéns. Ela respondeu: 'Papi, partindo de você, sinto que estou realmente bem porque se não estivesse, você teria dito.' E, realmente, eu a teria aconselhado a mudar de profissão. Depois da desgraça, a gente vê o quanto ela fazia sucesso, o carisma que ela tinha. Isso conforta, mas não resolve nada. Era melhor que ela estivesse aqui, sem isso tudo. Hoje, eu vejo o quanto ela era admirada por toda a classe artística, por todas as pessoas, do porteiro ao protagonista da novela mais importante. E não existe ninguém que ache que esse assassino está com a razão. Todo mundo está indignado com o que fizeram com ela.
Mas ninguém vai trazer minha filha de volta. Isso eu senti na hora em que toquei aquele braço frio no IML. Que carreira foi cortada, que a vida foi destruída... hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza de que minha filha seria uma grande estrela."

Fonte: Revista Manchete, 16 de janeiro de 1993.

OBS: O Pai da Dany já é falecido.

12 comentários:

Bia disse...

Nossa,chorei a cada palavra ! a cada palavra lida,era uma lágrima.. meu Deus,que dor desse homem ! uma saudade dela que dá lendo isso.. como ele a amava.. e acabou morrendo de tristeza né ?!

Aline Paschoal disse...

muita dor mesmo.. as palavras dele são emocionantes,de cortar o coração.. que tristeza gente..

Paulo Ricardo disse...

Nossa,realmente de emocionar qualquer pessoa.. quando ele fala da imagem de nossa senhora,q vê ela,pensa nela,meu Deus..coitado.. é muita saudade..

Paulo disse...

Agora vejam a dor de um pai.. olha só como ele fala da filha,de 22 anos,como se fosse um bebê.. veja o q esse psicopata desse assassino fez com esse homem.. eu ,chorei ao ler essa entrevista,eu nunca tinha lido mesmo,porque na época,o pai da Dany realmente quase não apareceu,ele era bem reservado,e estava muito magoado com tudo,então não era fácil vê-lo.
Vim ler hoje,quase 17 anos depois,graças a você Jéssica ! que maravilhoso esse blog,com tanta coisa bonita,tanta informação,ainda bem que vc criou,assim podemos ficar informados sobre o caso,e sobre a Dany tambem. Obrigado por tudo minha linda !

Nathallya disse...

Que tristeza ! tambem chorei ao ler .. nossa,to até agora chorando,to passada,meu Deus,que dor ! nunca soube dessa entrevista,realmente é graças a Jéssica q temos a oportunidade de saber de tudo o q aconteceu detalhe por detalhe.. obrigada Jéh,muito emocionante isso !

Claudinha disse...

minha nossa,essa dele ver nossa senhora como a filha é de cortar a alma.. nossa gente,isso gelou meu coração na hora,deu aquele frio na barriga sabe ? chorei tambem,meu Deus,que coisa horrivel fizeram com a Dany.. q eles paguem muito caro pela dor causada a esse pai.

Duda disse...

É .. terrivel cara.. terrivel mesmo.. sou mãe e fico imaginando a dor do pai e da mãe tambem.. nada alivia,nada mesmo..

Pri disse...

Jesus,como conseguiu essa entrevista menina ? minha reporter investigativa ! rsrsr... muito triste mesmo,chorei lendo ,to mais calma assim,mais porque li isso ontem quando vc me mostrou q ia postar copiando da revista,mais ontem chorei lembra ? muito triste,a gente perde a graça de tudo lendo isso..

Paty disse...

nossa,nunca tinha lido,nem conheci nada sobre o pai dela.. muito triste,to chorando ate agora.. obrigada por todas as informações q vc passa aqui Jé..

Isa disse...

Triste hein amiga ? nunca tinha visto nada relacionado ao pai dela .. por isso que é importante visitar sempre aqui,porque seu blog informa muito a nós mais jovens,q não pegamos tanto a época da Dani..

Jéh - disse...

É mesmo muito triste.. porque para os pais,os filhos serão sempre pequenos,e para o Luis,a Dany era aquela pequena bailarina que dançava pela casa,e seria sempre assim !
A tristeza foi tão grande,que ele partiu tambem..

jaqueline disse...

Quando tudo aconteceu, eu estava com 16 anos e assistia a novela em que ela fazia par romântico c o seu assassino...nesta época morava com a minha vó, e quando me levantei de manhã minha avó me contou o que havia acontecido, ela tinha escutado no rádio que a Yasmim da novela havia morrido. No primeiro instante acreditei que fosse o personagem, então perguntei, ué, porque? Minha vó não sabia o nome dela na vida real, então me explicou que era de verdade...não acreditava e me perguntava qual teria sido o motivo, minha vó é como uma criança, se emociona com coisas alegres e tristes e ela demonstra, não é como a gente, que segura e esconde as emoções...ela chorava .Saí dalí e fiquei me perguntando o por que...ela era linda,um sorriso contagiante...me lembro de tudo como se fosse hoje. Armaram pra ela, por ciúmes, inveja e tudo mais...O mais chocante é que hoje os assassinos estão livres, como se nada tivessem feito, sem ficha na polícia, é mesmo só o Brasil, quanta inpunidade!!!Quem perdeu com tudo isso,fomos nós e principalmente a família...tenho certeza absoluta que ela tá bem e feliz, tá abrilhantando com seu talento outro lugar...agora junto de seu pai. DANI, uma estrela que sempre vai brilhar!!!